Agronegócio cresce acima da média e deve ampliar participação do Brasil no mundo

Soja, milho, açúcar e carnes (bovina, suína e frango) devem ser principais commodities a ganhar participação de mercado


O agronegócio brasileiro segue avançando acima da média mundial, embora apresente um ritmo de crescimento menor em comparação aos últimos 10 anos.  Mesmo diante de um cenário internacional nebuloso, especialmente entre EUA e China, que se se enfrentam em uma guerra comercial sem precedentes, a sua sustentabilidade deve ser mantida na próxima década.

A expectativa é que o Brasil conquiste mais participação no mercado mundial entre as principais commodities que produz e exporta, como soja, milho, açúcar e carnes (bovina, suína e frango). Essa é uma das conclusões do Outlook Fiesp 2028 - Projeções para o Agronegócio Brasileiro, estudo elaborado pelo Departamento do Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O estudo reúne as projeções do setor para a próxima década, em termos de produção, produtividade, área plantada, consumo doméstico e exportações. O equilíbrio fiscal e a efetivação das reformas econômicas são esperados para que a política agrícola brasileira passe por aprimoramentos a partir, por exemplo, da priorização do seguro rural como política de garantia de renda ao produtor, cenário que também beneficiaria os segmentos de proteínas animais e de produtos mais elaborados, a partir do crescimento esperado da renda.

"O novo Governo Federal tem demonstrado compromisso com o ajuste fiscal, tendo como base o enxugamento do Estado e as reformas necessárias, como a previdenciária, capaz de trazer mais confiança ao mercado", avalia o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Dados mostram que a safra de milho 2018/19 pode chegar à 93 milhões de toneladas, 14% maior em relação a 2017/18, resultado da maior produtividade ( 10%) e área plantada ( 4%). As exportações devem crescer 27%, para cerca de 32,5 milhões de toneladas. A safra de soja foi projetada em 116 milhões de toneladas (-3% em relação a 2017/18).

Embora se espere uma área plantada maior ( 3%) na atual temporada, a produtividade (3.193 Kg/ha) deve ser menor em razão de problemas climáticos que atingiram alguns estados produtores no final de novembro e dezembro de 2018. As exportações da oleaginosa devem ser 16% menores em 2018/19 em comparação a safra 2017/18, estimadas em 71 milhões de toneladas.

Para cana de açúcar, a expectativa é que a safra 2019/20 chegue a 617 milhões de toneladas, incremento de 3% ante 2018/19, reflexo de maior produtividade ( 3%) e uma área plantada relativamente estável (-0,5%). A produção do açúcar deve ficar relativamente estável ( 0,7%), enquanto a do combustível deve ser 6% maior entre 2018/19 e 2019/2020.

No caso do café, o estudo prevê queda na produtividade (-8% sobre 2018/19) e na área plantada (-1%), impactando a produção que deve recuar em 8,5% em relação à 2018/19.

O desempenho estimado para as carnes (bovina, suína e de frango) em 2019 sobre 2018 é de incremento na produção de carne bovina ( 1,8%), carne de frango ( 2,0%) e suína ( 2,3%). O consumo doméstico deverá ter aumento de 1,4% para carne bovina, 1,4% para carne de frango e 1,7% para suína.

No horizonte de longo prazo, o trigo continuará dependente de importação em 2028. Para suprimento do mercado doméstico, serão necessárias importações equivalentes a 48% da demanda nacional.

O mercado doméstico seguirá como vetor do crescimento da produção brasileira de arroz, feijão, trigo, óleo de soja, milho, carnes, lácteos, ovos e etanol. Enquanto que o mercado internacional será preponderante para algodão, soja (grão), café, açúcar, suco de laranja e celulose.

Com informações da Agência Indusnet Fiesp