No Dia Mundial da Obesidade, celebrado nesse 4 de março, o endocrinologista pediátrico Dr. Miguel Liberato, referência em crescimento e desenvolvimento infantil em São Paulo, chama a atenção para um problema que já atinge milhões de crianças e adolescentes.
Segundo o médico, a obesidade infantil, geralmente associada à alimentaçãoinadequada e ao sedentarismo, está entre os distúrbios nutricionais mais comuns na infância. "Precisamos falar sobre obesidade desde cedo. Ela não é apenas uma questão estética, mas um problema de saúde pública que pode trazer consequências para toda a vida, como doenças cardiovasculares, hipertensão e até alguns tipos de câncer", afirma.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que uma em cada cinco crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos apresenta sobrepeso ou obesidade. Para o especialista, o cenário exige atenção redobrada. "O excesso de peso já atinge cerca de um quinto dos adolescentes, superando em muitas vezes os casos de baixo peso. O cuidado precisa começar nos primeiros anos de vida e até antes do nascimento", explica.
De acordo com o endocrinologista, a prevenção pode ter início ainda na gestação. Obesidadematerna, diabetes gestacional e ganho de peso excessivo durante a gravidez aumentam o risco de a criança desenvolver o problema. Por isso, ele destaca a importância do pré-natal com acompanhamento adequado e alimentação equilibrada.
Após o nascimento, o aleitamento materno também exerce papel fundamental. O médico orienta que a amamentação exclusiva seja mantida até os seis meses e complementada até os dois anos, prática que pode reduzir o risco de excesso de peso entre 20% e 25%. Na introdução alimentar, a recomendação é evitar açúcar, inclusive sucos, e priorizar alimentos in natura.
A rotina familiar também influencia diretamente na saúde das crianças. "A obesidade infantil se baseia em dois pilares: alimentação e atividade física. Estabelecer horários para as refeições, não pular refeições, controlar o tempo de tela e incentivar atividades físicas prazerosas são medidas essenciais. E nada disso funciona sem o envolvimento da família", ressalta.
O especialista reforça ainda a necessidade de respeitar os sinais de fome e saciedade. "Não devemos forçar a criança a comer além do que ela deseja. Lactentes e crianças pequenas têm capacidade de autorregular a ingestão alimentar", explica.
Para o médico, a data serve como um momento de reflexão. "Quanto mais cedo identificarmos e tratarmos o excesso de peso, maiores são as chances de sucesso. Cuidar da saúde das crianças hoje é garantir adultos mais saudáveis amanhã", conclui.