Moradores denunciam abandono após falhas constantes em balsa de Natividade da Serra
Sem manutenção adequada e sem operação noturna, população rural enfrenta dificuldades para estudar, trabalhar e falta de profissional com atendimento médico no bairro
Moradores do bairro Alto, na zona rural de Natividade da Serra, realizaram no último domingo (12) uma manifestação acompanhada de abaixo-assinado para denunciar a precariedade no serviço de travessia por balsa no município.
A mobilização cobra providências imediatas do poder público diante das constantes falhas no equipamento, considerado o único meio de acesso entre comunidades separadas pela represa.
De acordo com os moradores, a balsa apresenta problemas recorrentes e chega a ficar dias e até semanas fora de operação. "A gente depende muito dessa balsa, e a nossa política aqui deixa muito a desejar. Só neste ano, que começou agora, essa balsa já quebrou mais de cinco vezes, e fica muito difícil", afirmou o morador Jefferson de Oliveira.
Sem alternativas, a população enfrenta situações extremas. Quem possui embarcação própria ainda consegue atravessar a represa, mas os demais moradores precisam percorrer cerca de 50 quilômetros por via terrestre para chegar ao outro lado.
Atualmente, o município dispõe de três balsas e dois rebocadores. No entanto, segundo os manifestantes, a estrutura é distribuída de forma desigual: enquanto a região central conta com duas balsas e os dois rebocadores, a zona rural permanece com apenas uma balsa, operando sem suporte.
O serviço, de responsabilidade da Prefeitura Municipal de Natividade da Serra, funciona somente das 6h às 22h. A limitação de horário é outro ponto crítico, já que não há qualquer atendimento durante a madrugada.
Moradores relatam que a falta de funcionamento contínuo compromete diretamente o acesso a serviços essenciais. Estudantes deixam de frequentar aulas quando a balsa para, e profissionais da saúde ficam impossibilitados de atender a população.
A situação se agrava em casos de emergência. Segundo relatos, o hospital mais próximo está localizado em Caraguatatuba, no litoral norte paulista, o que aumenta ainda mais a vulnerabilidade dos moradores.
O morador João Cascardo reforça a gravidade do problema e cita episódios recorrentes de paralisação. "Já teve vez da balsa ficar parada por quase um mês só para trocar uma peça", relatou.
Ele também descreveu uma situação crítica vivida pela própria família. "Minha esposa passou mal, e a gente teve que esperar das 9h até às 15h por um rebocador que veio de Paraibuna. Foi desesperador", afirmou.
Além das falhas constantes, moradores apontam que a balsa da zona rural chega a operar por apenas uma semana antes de permanecer até 15 dias inativa, agravando ainda mais o isolamento da comunidade.
Diante do cenário, os manifestantes cobram ações urgentes: manutenção regular das embarcações, melhor distribuição dos equipamentos e funcionamento 24 horas, principalmente para garantir atendimentos emergenciais no período noturno.
A população afirma viver sob constante insegurança e relata sentimento de abandono por parte da administração municipal.
A Prefeitura Municipal de Natividade da Serra foi procurada para comentar sobre o assunto, mas até o fechamento desta edição, não tivemos retorno. Caso ela se manifeste, esta matéria será atualizada com o posicionamento!