Audiência pública em Taubaté debate a criação de um plano municipal de combate à violência contra a mulher
Audiência em Taubaté ressalta a elaboração de um plano de combate à violência contra a mulher e evidencia os resultados do Projeto Madalenas, que prevê atender mais de mil mulheres até 2026.
A Câmara Municipal de Taubaté promoveu, na segunda-feira (23), uma audiência pública para debater a construção do Plano Municipal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. O encontro reuniu autoridades, representantes da sociedade civil e organizações que atuam diretamente no acolhimento de vítimas.
A iniciativa foi conduzida pela vereadora Zelinda Pastora (PRD), autora do requerimento, com apoio de parlamentares de diferentes partidos. O objetivo foi discutir ações concretas de prevenção, acolhimento e combate à violência de gênero no município.
Entre os destaques da audiência esteve a atuação do Projeto Madalenas. A diretora Andréia Souza apresentou números expressivos do trabalho desenvolvido: em 2025, a iniciativa atendeu cerca de 300 mulheres. Somente em janeiro deste ano, já foram 100 atendimentos, e a expectativa é de que, ao longo de 2026, mais de mil mulheres sejam acolhidas pela associação.
Segundo Andréia, o projeto atua de forma integrada desde o primeiro contato com as vítimas, oferecendo apoio psicológico, orientação jurídica e capacitação profissional. "O resultado são vidas transformadas. Hoje, vemos mulheres mais fortes, mães mais preparadas, com dignidade e novas oportunidades", destacou.
A vereadora Zelinda também apresentou propostas estruturais, como a criação de uma diretoria voltada às políticas para mulheres dentro da Secretaria de Desenvolvimento e Inclusão Social, vinculada a uma futura Coordenadoria da Família. A medida visa ampliar o atendimento sem gerar impacto financeiro elevado imediato.
O secretário de Inclusão Social, Marco Tolomio, reforçou o apoio à iniciativa e apresentou dados do município: em 2025, 16 mulheres e 22 filhos foram acolhidos, com dez inserções no mercado de trabalho. Em 2026, até o momento, 11 mulheres receberam atendimento, sendo quatro já empregadas.
Representando o Executivo, Claudineia Castro reafirmou o compromisso com políticas públicas eficazes e humanizadas, alinhadas às diretrizes nacionais.
No campo institucional, a presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Taubaté, Maria Teresa Lopes, também participou da audiência, reforçando a importância da atuação jurídica no apoio às vítimas.
A contribuição acadêmica veio do coordenador do Gavvis da Universidade de Taubaté, Avelino Barbosa Júnior, que defendeu maior integração entre os serviços existentes. Segundo ele, o município conta com profissionais capacitados, mas ainda precisa avançar na articulação entre os órgãos.
A audiência reforçou a necessidade de união entre poder público, instituições e sociedade civil para consolidar políticas eficazes de proteção às mulheres, garantindo acolhimento, autonomia e reconstrução de vidas.