Taubaté registra mais de 2.200 atendimentos de violência contra a mulher em 2025
Entre os principais fatores que motivam as agressões estão ciúmes e sentimento de posse por parte do agressor. As ocorrências mais comuns registradas são de lesão corporal e ameaça, atingindo majoritariamente pessoas das classes sociais D e E.
Taubaté enfrenta um cenário preocupante de violência contra a mulher. De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do município, foram registrados cerca de 2.200 atendimentos ao longo de 2025. Em 2026, até o momento, já são 456 casos contabilizados, evidenciando a continuidade do problema na cidade.
O levantamento aponta que a maior incidência de vítimas está na faixa etária entre 25 e 44 anos, enquanto os agressores se concentram, principalmente, entre 35 e 44 anos. As regiões mais afetadas estão localizadas na parte baixa do município, com destaque para os bairros Areão, Parque Aeroporto e Jardim Santa Teresa.
Entre os principais fatores que motivam as agressões estão ciúmes e sentimento de posse por parte do agressor. As ocorrências mais comuns registradas são de lesão corporal e ameaça, atingindo majoritariamente pessoas das classes sociais D e E.
Diante desse cenário, a vereadora Vivi da Rádio (Republicanos) tem reforçado a necessidade de melhorias na rede de proteção às vítimas. Em entrevista, ela destacou a ausência de uma delegacia 24 horas exclusiva para atendimento à mulher, apontando falhas no suporte emergencial.
"Não há efetivo suficiente para atender com urgência uma mulher no momento em que ela está sendo agredida. Isso é uma realidade", afirmou.
Como resposta parcial à situação, foi sancionada a Lei nº 6.915, publicada em 19 de março, que determina que ao menos 10% das unidades habitacionais em programas com participação do município sejam destinadas a mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. Segundo a autora da proposta, a medida busca oferecer uma alternativa concreta para mulheres que permanecem em relações abusivas por falta de moradia segura para si e seus filhos.
No cenário nacional, o tema também avança no Congresso. O Senado aprovou, por 67 votos favoráveis e nenhum contrário, um projeto que define a misoginia como crime, caracterizando-a como manifestações de ódio ou aversão às mulheres. A proposta ainda inclui a expressão "condição de mulher" entre os critérios da Lei do Racismo (Lei nº 7.716/1989). O texto teve participação das senadoras Soraya Thronicke (Podemos-MS) e Ana Paula Lobato (PSB-MA).
Para a vereadora Vivi da Rádio, a proposta é relevante, mas ainda precisa de debater melhor o tema e poder refletir sobre à sua aplicação prática.