Sapateado encanta a Terceira Idade e espanta a solidão

A partir de terça-feira (16), a FCCR abre 21 vagas para os núcleos iniciante e intermediário


O som das solas metálicas em contato com o chão, quase como verdadeiros instrumentos de percussão, e todo seu glamour nos cinemas, eternizado pelo dançarino e ator Fred Astaire na década de 40, o sapateado encanta diferentes gerações.

Há dois anos, A Fundação Cultural Cassiano Ricardo oferece a oportunidade ao público mais maduro de aprender, se aperfeiçoar e, acima de tudo, se divertir com as aulas do projeto Tap da Longevidade - com técnicas de sapateado americano.

Com a pandemia, alunos de 45 e 80 anos passaram a se reunir virtualmente para aprender novos passos e ensaiar coreografias. "Nós aprendemos a fazer sapateado, no modo online, juntos. Os coloquei para trabalhar em todo o processo, desde pesquisa a produção de figurinos. O resultado foi uma entrega total desses alunos", afirma a professora Aline Carneiro, coordenadora do Tap da Longevidade.

Entre os alunos que iniciaram no projeto durante a pandemia está psicóloga Ana Campos, 65. "Sempre fui apaixonada por sapateado, mas nunca tive a oportunidade de aprender até que um dia um sobrinho meu me falou de um projeto legal da Fundação Cultural. Me inscrevi e comecei as aulas de casa mesmo".

Com as medidas restritivas, Ana também levou o trabalho para casa, mas confessa que durante as aulas de sapateado ela se 'transporta' para a sala de aula. "Eu me sinto como se a vida estivesse normal, não me sinto trancada dentro de casa. A aula é o momento em que me desligo de todos os problemas", disse.

Aos 60 anos, a aluna Luciana Pereira é o exemplo da disciplina e organização, mesmo cuidadndo da mãe com 93 anos. Integrante do projeto desde o início, é ela quem auxilia a professora a filmar as aulas e disponibilizar entre o grupo. Para Lu, o saldo desse um ano de pandemia é uma equipe ainda mais unida e dedicada e com maior qualidade técnica. "A gente não teve tempo para o tédio. O que tivemos foram muitos propósitos oferecidos pela professora. Montamos inúmeras coreografias, ensaiamos desde funk a festa junina e isso foi muito rico".

"Sapatear é colocar o cérebro nos pés"

A enfermeira aposentada Dinorah Correa de Carvalho, 79, conheceu um pouco do sapateado na Casa do Idoso, com a própria professora Aline. Na época, ela se recuperava de uma depressão em razão da perda de um filho. Quando a FCCR começou a desenvolver o Tap da Longevidade, ela não teve dúvida e se inscreveu no projeto.

"Comecei a estudar para aprender a fazer os passos do sapateado e saber seus nomes, na maioria em inglês. Esse projeto abriu novos caminhos. Hoje é uma grande família, onde um ajuda o outro", afirma. Dinorah disse que sente seu ego, autoestima e moral elevados a cada aplauso por sua apresentação. "A solidão é muito triste, assim a gente a espanta".

Apesar do sapateado exigir coordenação motora e força nos pés, Maria de Lourdes Vilaça, 79, segue firme em seus treinos. "Sapatear é colocar o cérebro nos pés. Todo esse processo me faz muito bem para física, mental e emocionalmente. A professora é muito observadora e carinhosa, além de conhecer cada um de nós, o que nos ajuda muito, principalmente, em período de isolamento", afirma.

Novas oportunidades

A partir desta terça-feira (16), a FCCR abre 21 vagas para os núcleos iniciante e intermediário. As inscrições devem ser feitas pelo aplicativo São José Viva até o dia 30 de março. Após a efetivação da matrícula, o início das aulas online é imediato.