Mulheres denunciam negligência obstétrica no h-mult em Taubaté
Os relatos apontam para episódios recorrentes de negligência obstétrica, demora no atendimento, estrutura precária e tratamento inadequado a pacientes e recém-nascidos.
Um grupo de mulheres, entre gestantes e mães recentes, denuncia uma série de falhas graves no atendimento prestado pelo Hospital Municipal (H-Mult), em Taubaté. Os relatos apontam para episódios recorrentes de negligência obstétrica, demora no atendimento, estrutura precária e tratamento inadequado a pacientes e recém-nascidos.
Segundo as denunciantes, os problemas se arrastam há anos e se intensificaram desde 2024. Entre as principais queixas estão a longa espera por atendimento, permanência prolongada em salas de observação sem estrutura adequada e dificuldades para acesso a leitos na maternidade.
Um novo depoimento reforça a gravidade da situação. Uma terceira paciente relatou que chegou à unidade hospitalar com a bolsa rompida e foi internada, permanecendo por horas aguardando o início do trabalho de parto. Como não houve evolução, foi submetida à indução com medicamentos.
De acordo com a paciente, foram administrados comprimidos e realizados exames frequentes, inclusive por pessoas que ela acredita serem estudantes, o que gerou insegurança. "Havia divergência nas avaliações e falta de cuidado durante os exames", afirmou.
A mulher relata que permaneceu cerca de 32 horas em trabalho de parto. Durante esse período, percebeu a redução dos movimentos do bebê, o que aumentou sua preocupação. Mesmo assim, segundo ela, a equipe médica teria minimizado a situação e sugerido a continuidade da indução. Diante do quadro, a paciente recusou nova medicação e solicitou a realização de cesariana, sendo encaminhada ao centro cirúrgico cerca de 30 minutos depois.
O procedimento ocorreu sem intercorrências graves, mas a paciente afirma que presenciou orientações da médica a um profissional durante a sutura, indicando possíveis falhas na execução do procedimento.
Após receber alta, a mulher precisou retornar ao hospital uma semana depois devido à pressão arterial elevada. Segundo o relato, mesmo com níveis considerados críticos, ela aguardou atendimento por tempo prolongado na triagem. Após insistência, foi internada, mas afirma que não houve monitoramento adequado.
Ainda de acordo com a paciente, durante a internação, precisou solicitar repetidamente a aferição da pressão e chegou a ser orientada a caminhar sozinha até outro setor, mesmo sob efeito de medicação. Ela relata também que tomou banho desacompanhada, apesar do risco de tontura e queda.
Em um dos episódios mais graves, a paciente afirma que permaneceu por cerca de 20 horas sem ingestão de água durante tratamento intravenoso, o que teria causado desidratação. Posteriormente, precisou receber grande volume de soro devido à dificuldade de acesso venoso. "Fui deixada sem água e ainda tentaram coletar sangue em condições inadequadas", relatou.
A mulher também denunciou problemas estruturais na unidade, como falta de profissionais, superlotação, macas danificadas e infiltrações. Segundo ela, há relatos de queda de bebê devido à precariedade das camas. Outro ponto destacado é a proximidade da ala psiquiátrica com a maternidade, com barulhos constantes durante a noite.
Além disso, a paciente afirma que solicitou por duas vezes a possibilidade de doar leite materno enquanto estava internada e separada da filha, mas não obteve resposta. Com isso, segundo ela, houve perda da produção de leite, obrigando a família a recorrer à alimentação com fórmula.
Outras pacientes também relatam dificuldades no atendimento, demora na triagem, resistência à realização de cesarianas, além de episódios de desrespeito por parte de profissionais de saúde.
Em nota, a Prefeitura de Taubaté informou que a administração do Hospital Municipal Universitário de Taubaté (Hmut) instaurou uma sindicância interna para apurar as denúncias.
As mulheres cobram providências urgentes das autoridades, com melhorias na estrutura, aumento do número de profissionais e garantia de atendimento humanizado. O grupo afirma que seguirá buscando meios legais para que os casos sejam investigados e medidas efetivas sejam adotadas.