A cultura do descarte

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Durante o pontificado do Papa Francisco, fomos provocados por meio de muitos dos seus discursos, a refletir sobre a cultura do bem-estar e a humanidade descartável.

O Pontífice refletiu sobre a indiferença que anestesia as pessoas diante do drama da vida humana e das ofertas paliativas oferecidas aos menos favorecidos, destacando o grande egoísmo das pessoas.


Essa era do consumo, dos prazeres desenfreados e das aparências, gerou uma camada social cada vez mais descomprometida com a ética humana, esvaziando a identidade e o sentido da dignidade humana.


Recorda-nos a Sagrada Escritura que Deus criou o céu e a terra para todos, mas infelizmente, muitos muros se ergueram e segregaram a convivência entre as pessoas. Hoje, uma pequena camada social goza do bem-estar e uma grande parcela da humanidade sofre o abandono e a marginalização.


Cristo viveu o testemunho do encontro, deixando-se tocar pelas feridas humanas, fazendo-se próximo das dores do cotidiano das pessoas. No seguimento desse discipulado, somos todos chamados a destruir essas muralhas da sociedade da exclusão e a valorizar o
respeito e a dignidade das pessoas.


Essa atitude do encontro e da acolhida deve nascer, por primeiro, dentro de cada coração e ser exercitada nas pequenas oportunidades de cada dia, vencendo toda forma de egoísmo e indiferença e edificando uma sociedade mais justa e mais fraterna.


Que não olhemos as pessoas como descarte, mas as reconheçamos pelo valor e pela dignidade que representam. Em cada ser humano, Deus deixou a sua parcela de amor e esse amor precisa ser cuidado e respeitado por todos.


Amar o próximo é um modo desconcertante de compreender a mensagem central do Evangelho que é o próprio Cristo encarnado em nosso meio.