Indústria Automotiva: novembro com boas novas, mas com velhas preocupações

Problema da falta de semicondutores persiste e vai se prolongar por mais tempo que o desejável


Os resultados animadores de produção, vendas e exportação das montadoras, neste segundo semestre, projetam um 2023 mais promissor. Novembro, em particular, foi um mês a se festejar. Começando pela média diária de emplacamentos. Bateu recorde do ano com um volume de 10,2 mil unidades. Agosto, setembro e outubro a média diária, também foi animadora, ficando em 9,1 mil unidades.

Lembrando que a média diária de vendas, no primeiro semestre, foi de preocupantes 7,5 mil unidades. Entre as boas notícias, destacam-se duas preocupações: o problema da falta de semicondutores persiste e vai se prolongar por mais tempo que o desejável (possivelmente até 2024) e os juros altos estão represando vendas de novos e levando consumidores a buscar veículos usados acima de 10 anos.

De acordo com levantamento da Anfavea (entidade que congrega os fabricantes de veículos no Brasil), 69% das vendas em novembro foram realizadas à vista. Isso não é bom. Fica evidente que, se houvesse linhas mais saudáveis de financiamento, o mercado estaria, no mínimo, 30% acima. Antes da pandemia, em 2019, vendas a prazo respondiam por 52% das vendas.

Juros altos comprimem as vendas de novos empurrando consumidores para a opção de usados mais antigos. Resultado: frota mais envelhecida aumenta a poluição e diminui a segurança. Por isso que, neste setor, sustentabilidade começa, naturalmente, em facilitar o crédito para que cada vez mais pessoas tenham acesso a veículos tecnologicamente mais eficientes e modernos.

Mesmo com os percalços logísticos e financeiros, pelo sétimo mês consecutivo, a produção mensal se manteve acima do patamar de 200 mil autoveículos. Em novembro, 215,8 unidades saíram das linhas de montagem, quase 5% a mais que no mês anterior e que em novembro de 2021.

Com isso, o volume total produzido no ano passado (2,248 milhões) deverá ser superado já no início deste mês. De acordo com os resultados divulgados pela Anfavea, na comparação do acumulado dos 11 primeiros meses deste ano, a produção de 2022 supera a de 2021 em 6,9%.

As revendas estão igualmente satisfeitas com os negócios realizados em novembro. Os emplacamentos chegaram a 204 mil unidades, volume 17,9% superior às 173 mil unidades licenciadas em novembro do ano passado. No acumulado deste ano, contudo, as vendas não conseguiram superar igual período do ano passado. Somam-se 1.888 mil unidades neste ano, contra 1.913 mil de janeiro a novembro de 2021, resultado 1,3% inferior.

As exportações se mantiveram em bom patamar pelo segundo mês seguido, após queda em setembro em função de questões logísticas. O acumulado de 450 mil unidades em 2022, já supera em 34,3% os embarques dos primeiros 11 meses do ano passado. Em novembro, as exportações foram de 43,4 mil veículos, 1,6% a mais que em outubro registrando 55% de crescimento sobre novembro de 2021.

Pelo segundo mês seguido o México superou a Argentina como principal destino dos automóveis brasileiros exportados, em função das restrições cambiais no país vizinho. No acumulado do ano, a Argentina ainda lidera com 29% das unidades nacionais embarcadas, seguida por México (18%) e Colômbia (16%).

*Marcos Gonzalez é o diretor responsável pelo segmento automotivo da Becomex. Formado em Engenharia, com pós-graduação em Administração e MBA em Gestão Fiscal e Tributária, o executivo acumula mais de 35 anos de experiência profissional em empresas do setor automotivo. Gonzalez tem sólida carreira desenvolvida em empresas multinacionais com forte experiência na prospecção e desenvolvimento de novos negócios e habilidade multicultural adquirida no desenvolvimento de atividades comerciais junto a clientes no exterior.