Stablecoins ganham espaço e aproximam o dólar do dia a dia dos brasileiros
Uso crescente de ativos digitais atrelados a moedas tradicionais reflete uma mudança no comportamento financeiro e abre portas para novas formas de pagamento.
As stablecoins, criptomoedas projetadas para manter valor estável ao serem lastreadas em moedas fiduciárias, deixaram de ser um elemento de nicho no universo de criptoativos para se tornarem parte crescente das transações financeiras cotidianas em várias partes do mundo, inclusive no Brasil.
Esses ativos estão ajudando a aproximar o dólar digital, por exemplo, da rotina de brasileiros que buscam alternativas eficientes para pagamentos, remessas e proteção contra a inflação, sinalizando uma possível transformação na maneira como as pessoas interagem com dinheiro no ambiente digital.
Segundo relatório da TRM Labs, o Brasil passou a figurar entre os cinco maiores usuários globais de stablecoins, ao lado de Índia, Estados Unidos, Paquistão e Filipinas. Entre janeiro e julho de 2025, esses criptoativos movimentaram cerca de US$ 4 trilhões - volume que corresponde, inclusive, a aproximadamente 30% de toda a atividade em redes blockchain no mundo.
O dado reforça que as stablecoins já ultrapassaram o estágio de interesse predominantemente especulativo e passaram a ocupar um espaço mais estruturado nas dinâmicas do mercado financeiro digital.
O que são stablecoins e por que importam?
As stablecoins são criptomoedas projetadas para manter seu valor atrelado a ativos considerados estáveis, como moedas fiduciárias, entre elas o dólar, o euro e até o real. A proposta central desse modelo é mitigar a volatilidade característica de outros criptoativos, tornando essas moedas mais adequadas para pagamentos e transferências sem oscilações bruscas de preço.
Como resultado, as stablecoins ganham relevância em operações internacionais, remessas e estratégias de preservação de valor, especialmente em contextos de incerteza econômica.
Seu crescimento é impulsionado por vantagens práticas: custo reduzido de transferências, velocidade nas transações (que funcionam 24 horas por dia e 7 dias por semana) e uma alternativa ao sistema bancário tradicional para remessas internacionais ou operações que exigem liquidez imediata. Em síntese, em um país com um mercado financeiro digital em expansão, as stablecoins estão ajudando a preencher lacunas deixadas por métodos de pagamento convencionais.
O futuro das stablecoins no Brasil
O crescimento das stablecoins no Brasil representa mais do que uma tendência de tecnologia financeira: é um sinal de que a população está cada vez mais aberta a soluções digitais que integrem moedas fortes ao cotidiano financeiro. Logo, com esse contexto de uso real e expansão, observar como esse fenômeno evoluirá nos próximos anos será imprescindível, especialmente se o país continuar a desenvolver um ambiente regulatório seguro e estável para proteger usuários e fomentar inovações.
Na medida em que as stablecoins se consolidam como um componente relevante do sistema financeiro global e local, elas podem ajudar a redefinir não apenas a forma como as transações são realizadas, mas também a maneira como o dinheiro em sua forma digital é compreendido e utilizado no dia a dia dos brasileiros.