Estudar muito pode desencadear miopia?

Sabedoria popular tem um fundo de verdade, segundo pesquisa publicada no British Medical Journal


crença é antiga e a pergunta faz sentido. Muitos acreditavam que o excesso de horas estudando poderia causar algum problema de visão. Mas, por óbvio, não seria ético submeter as crianças a tal teste. Mas, no ano passado, um estudo publicado no periódico British Medical Journal disse haver "fortes evidências" de que, quanto mais anos estudamos, maior será nossa necessidade de usar óculos.

Para contornar o problema ético da pesquisa, os autores do estudo analisaram 68 mil pessoas e o DNA desses indivíduos. Descobriu-se que o ser humano pode ter genes que o tornam mais propenso a ter miopia ou genes que o tornam mais inclinado a estudar por mais tempo. No segundo caso, havia mais possibilidade de se tornar míope, mas isso não significa que as pessoas que têm mais probabilidade de ser míopes por causa dos genes irão estudar mais.

De acordo com os pesquisadores, em média,  uma pessoa que cursa uma faculdade até o final pode fazer com que ela tenha um grau a mais de miopia do que alguém que parou de estudar aos 16 anos. É pouco, mas neste caso é necessário utilizar um óculos para dirigir, por exemplo, segundo o canal de notícias BBC. Em casos mais graves, a miopia pode até provocar o descolamento de retina, deixando o indivíduo cego.

A pesquisa não estimula as pessoas a parar de estudar de nenhuma forma, segundo os cientistas. É só um alerta de que é necessário educar melhor as crianças sobre os problemas de saúde, inclusive em relação às complicações que podem ser decorrentes de problemas de visão. Embora algumas pesquisas já tenham mostrado o impacto de novas tecnologias como tablets e smartphones na visão, este estudo não analisou esse aspecto, já que a pesquisa foi feita com quem entrou em idade escolar há mais de 50 anos.

No Brasil, de acordo com o último censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do total da população brasileira, 23,9% (45,6 milhões de pessoas) declararam ter algum tipo de deficiência. Entre as deficiências declaradas, a mais comum foi a visual, atingindo 3,5% da população.

Cerca de 29 milhões de pessoas, à época, declararam ter algum tipo de dificuldade permanente  de enxergar, ainda que usando óculos ou lentes. Segundo a Organização Mundial da Saúde, as principais causas de cegueira no Brasil são: catarata, glaucoma, retinopatia diabética, cegueira infantil e degeneração macular. Dados do World Report on Disability 2010 e do Vision 2020 indicam que, a cada cinco segundos, uma pessoa se torna cega no mundo. A OMS calcula que existam 246 milhões de pessoas que sofrem de perda moderada ou severa da visão no mundo, e 90% dessas pessoas vivem em países em desenvolvimento.

A agência calcula que 19 milhões de crianças com menos de 15 anos tenham problemas visuais. Desse total, 12 milhões sofrem de condições que poderiam ser facilmente diagnosticadas e corrigidas.

A organização cita que quase 1,5 milhão de menores têm o que é chamado de cegueira irreversível, e nunca mais voltarão a enxergar. A OMS diz que dois terços dessas crianças morrem até dois anos depois de terem perdido a visão.