Terreiro de Umbanda é alvo de ataque em Pindamonhangaba e reacende alerta sobre intolerância religiosa
Episódio de violência contra casa religiosa no bairro Crispim reforça estatísticas alarmantes: país registrou aumento de 66,8% nas denúncias de intolerância em 2024.
PINDAMONHANGABA - Um terreiro de Umbanda foi alvo de um ataque na noite de sexta-feira (12), no bairro Crispim. O Núcleo de Umbanda Pai João de Angola registrou boletim de ocorrência após agressões e ofensas religiosas contra o local, logo após o término dos atendimentos, quando cerca de 80 pessoas ainda estavam no interior da casa.
Segundo o dirigente Pai Sérgio, um carro parou em frente ao terreiro com som alto e ocupantes passaram a chutar e socar a porta, além de proferir insultos contra a religião. O episódio causou pânico entre frequentadores, incluindo idosos e adolescentes. Os agressores fugiram antes da chegada da polícia.
O líder religioso afirma que as ameaças não são isoladas e começaram em agosto, com reclamações e intimidações recorrentes. "As atividades ocorrem apenas 2 ou 3 vezes por semana, dentro do horário permitido", disse.
O caso ocorre em meio a um cenário nacional preocupante. Dados do Ministério dos Direitos Humanos indicam que o Brasil registrou um aumento de 66,8% nas denúncias de intolerância religiosa em 2024, com 2.472 registros pelo Disque 100. As religiões de matriz africana seguem como as principais vítimas.
São Paulo lidera o ranking de denúncias no país. Especialistas apontam que a violência contra terreiros está ligada ao racismo religioso histórico e estrutural.
O ataque pode ser enquadrado em crimes como injúria religiosa, ameaça e ultraje a culto, além de violar a Constituição, que garante a liberdade religiosa e a proteção aos locais de culto.
As estatísticas evidenciam que as religiões de matriz africana são as mais atingidas pela violência religiosa no país:
Umbanda: 151 denúncias em 2024
Candomblé: 117 denúncias
Outras religiões afro-brasileiras: 21 denúncias
Juntas, essas três categorias representam 289 casos, consolidando as religiões de matriz africana como o principal alvo de ataques motivados por intolerânciareligiosa no Brasil.
Denúncias Casos de intolerância religiosa podem ser denunciados pelo Disque 100, que funciona 24 horas, ou nas delegacias especializadas e no Ministério Público.