Associações Comerciais travam batalha em Brasília para adiar votação da jornada 6x1

Associações Comerciais intensificam articulação em Brasília para postergar decisão sobre a jornada 6x1.


 

O empresariado brasileiro intensifica a articulação política em Brasília para segurar a votação da proposta que extingue a escala 6x1 e reduz a jornada semanal de trabalho no País. O movimento chega ao ponto mais alto nesta terça-feira (17), com uma reunião entre o presidente da Rede de Associações Comerciais e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

O que está em jogo

A proposta prevê o fim do modelo 6x1, amplamente adotado no comércio, serviços e indústria, e a redução da carga horária semanal. Para as Associações Comerciais, o problema não é a pauta em si, mas o ritmo acelerado da tramitação.

A entidade defende que micro, pequenas e médias empresas, responsáveis pela maior parte dos empregos formais no Brasil, não foram devidamente ouvidas no processo. A preocupação central é com os impactos econômicos de uma mudança dessa magnitude sem estudos técnicos aprofundados.

A reunião que pode mudar o calendário

Alfredo Cotait Neto, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), se reúne nesta terça com Hugo Motta. O encontro foi articulado pelo deputado Joaquim Passarinho, presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE).

Além da jornada de trabalho, Cotait levará à mesa outros dois temas sensíveis ao setor:

  • Proteção do Simples Nacional na regulamentação da reforma tributária
  • Voto distrital, com proposta de implementação nas eleições de 2030

"Este projeto não pode ser colocado em votação neste momento, porque o debate está contaminado pela busca de votos e pelo populismo. É fundamental ouvir os pequenos negócios e quem efetivamente gera empregos no País." Alfredo Cotait Neto, durante reunião dos Conselhos da Facesp (16/03)

Protagonismo político como estratégia

A reunião dos conselhos da Facesp também abriu espaço para um debate mais amplo: o papel político das Associações Comerciais no cenário atual. O conselheiro Guilherme Afif Domingos defendeu que as entidades precisam abandonar a postura reativa e assumir protagonismo nas disputas que afetam o ambiente de negócios.

"Não somos revolucionários, mas evolucionários. Precisamos assumir o protagonismo que nos cabe."

O vice-presidente de Assuntos Institucionais da Facesp, Gilberto Kassab, reforçou a necessidade de coesão: "Temos força para evitar retrocessos, mas isso exige um sistema mobilizado." Já o conselheiro Marco Bertaiolli destacou que modernização e agilidade são condições indispensáveis para que a rede mantenha sua relevância política.

Liderança confirmada para 2026-2028

Na mesma reunião, os conselhos da Facesp homologaram a presidência e as vice-presidências para o mandato 2026-2028, confirmando Cotait Neto no comando. Ele acumula ainda a presidência da CACB e da Associação Comercial de São Paulo, concentração que reforça o peso político da entidade nas negociações em Brasília.

Contexto: A proposta de fim da escala 6x1 ganhou força no Congresso após mobilizações nas redes sociais e pressão de movimentos trabalhistas. O debate divide economistas: parte defende que a medida melhora qualidade de vida e produtividade; outra alerta para o risco de aumento de custos e informalidade, especialmente em setores intensivos em mão de obra.

Fonte: FACESP