Câmara de Taubaté cobra explicações sobre a qualidade no curso de Medicina da Unitau e debate futuro da formação médica
O vereador Douglas Carbonne (Solidariedade) liderou uma iniciativa que classificou os resultados como preocupantes, apontando possíveis falhas na gestão do curso.
A Câmara de Taubaté realizou, no último dia 26, uma audiência pública para discutir a situação do curso de Medicina da Universidade de Taubaté (Unitau), após uma série de reclamações de estudantes e o desempenho insatisfatório no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que atribuiu nota 2 à graduação.
A iniciativa foi do vereador Douglas Carbonne (Solidariedade), que classificou o resultado como preocupante e apontou possíveis falhas na gestão do curso. Entre as críticas, ele destacou a repercussão negativa da nota em nível nacional, a falta de diálogo com os alunos e a suspeita de que recursos teriam sido direcionados para unidades fora da cidade, como Caraguatatuba.
Durante a audiência, Carbonne afirmou que a expansão da universidade ocorreu com recursos provenientes de Taubaté, o que, segundo ele, teria impactado a estrutura local. O parlamentar alertou para o risco de prejuízos à formação médica e ao futuro da cidade caso medidas não sejam adotadas.
Representando a universidade, a assessora de graduação, professora Ana Paula Lima Guidi Damasceno, rebateu as críticas. Ela garantiu que os docentes passam por capacitações constantes e destacou investimentos recentes em infraestrutura, como a modernização de prédios e a implantação de um complexo de simulação. Também negou que recursos tenham sido retirados do campus de Taubaté para financiar outras unidades.
O diretor de Ciências Médicas, Ricardo Marcitelli, reconheceu o impacto da nota, mas relativizou o resultado. Segundo ele, mudanças nos critérios de avaliação do Enamed influenciaram diretamente a queda no desempenho. Marcitelli explicou que, apesar de um índice de proficiência considerado adequado, a nova metodologia reduziu o conceito final do curso, o que, em sua avaliação, não reflete a real qualidade da formação oferecida.
A discussão ganha ainda mais relevância diante da proximidade das eleições para a reitoria da Unitau, previstas para 2026. A atual reitora, Nara Lucia, está em seu segundo mandato e não poderá disputar a recondução ao cargo.
A audiência evidenciou a necessidade de maior transparência, diálogo com os estudantes e revisão de estratégias para garantir a qualidade do ensino médico na instituição.