Os atendimentos ambulatoriais relacionados ao diabetes na rede pública paulista quase dobraram em um ano. Em 2025, foram registrados 108.174 procedimentos, comparado aos 54.974 de 2024 ? um crescimento de 97%. Nas internações hospitalares, o aumento foi mais moderado, mas igualmente significativo: de 23.611 em 2024 para 26.426 em 2025, representando um acréscimo de 12%.
Já nos primeiros quatro meses de 2026, o estado contabilizou 48.178 atendimentos ambulatoriais e 8.107 internações, sinalizando que a tendência de crescimento persiste.
Os Culpados por Trás da Epidemia
Especialistas apontam que o avanço do diabetes não é coincidência, mas consequência direta de transformações estruturais no modo de vida contemporâneo. O sedentarismo, a obesidade crescente, o envelhecimento populacional e a proliferação de alimentos ultraprocessados formam um cenário propício para a doença.
Eduardo Canteiro Cruz, médico geriatra e diretor clínico do AME Idoso Sudeste, sintetiza o problema: "O aumento dos casos de diabetes é impulsionado pelo envelhecimento da população, pelas altas taxas de obesidade, pelo sedentarismo e pelas mudanças nos hábitos alimentares, com maior consumo de alimentos ultraprocessados. Os impactos residuais da pandemia também contribuíram para agravar esse cenário".
A pandemia de Covid-19 funcionou como acelerador dessa tendência. Confinamentos prolongados reduziram a prática de exercícios físicos e consolidaram padrões alimentares menos saudáveis em milhões de brasileiros.
Quando o Diabetes Escapa ao Controle
O perigo reside não apenas na incidência crescente, mas nas consequências de um diagnóstico tardio ou tratamento inadequado. Sem intervenção precoce, a doença desencadeia complicações progressivas e potencialmente irreversíveis: infarto e acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência renal crônica, cegueira e neuropatias que podem evoluir para amputações.
Essas complicações não são meras estatísticas, representam perda de qualidade de vida, incapacidade funcional e custos imensuráveis para o sistema de saúde.
A Prevenção Como Arma Principal
Diante desse cenário, especialistas reforçam que a melhor estratégia é preventiva. Mudanças permanentes no estilo de vida funcionam como escudo contra o diabetes.
As orientações convergem para pontos-chave:
Alimentação: priorizar alimentos naturais ? frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras ? enquanto reduz drasticamente o consumo de refrigerantes, doces e ultraprocessados.
Atividade física: adultos devem acumular pelo menos 150 minutos de exercício por semana; crianças e adolescentes, cerca de 60 minutos diários. Limitar o tempo de tela também integra essa recomendação.
Controle de peso: estudos demonstram que uma redução entre 5% e 10% do peso corporal diminui significativamente o risco de diabetes em pessoas predispostas.
Acompanhamento médico: monitoramento periódico permite detecção precoce e intervenção oportuna.
O Chamado à Ação
Os números de São Paulo refletem uma tendência nacional. A epidemia de diabetes não é inevitável, é resultado de escolhas coletivas sobre como vivemos. Neste Dia Nacional do Diabetes, a mensagem é clara: pequenas mudanças hoje podem evitar grandes sofrimentos amanhã.