A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo(SES-SP) está intensificando as ações de vigilância sanitária e fiscalização durante o período de Carnaval para prevenir casos de intoxicação por metanol. O alerta às autoridades e à população ocorre em um momento crítico: o balanço divulgado nesta quarta-feira (11) já contabiliza 52 casos confirmados de intoxicação e 12 óbitos relacionados ao consumo de bebidas adulteradas.
O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) coordena as ações em conjunto com as vigilâncias sanitárias municipais, que são responsáveis pela inspeção de estabelecimentos comerciais e vendedores ambulantes. A fiscalização abrange a verificação da origem e procedência de bebidas alcoólicas comercializadas durante a folia.
Paralelamente, equipes do CVS estarão em campo para coibir a venda e o consumo de bebidas alcoólicas por menores de 18 anos, conforme determina a Lei Estadual nº 14.592/2011. O objetivo é orientar comerciantes e consumidores sobre as regras de comercialização e os riscos do consumo precoce de álcool.
Orientações para evitar intoxicação
A SES-SP recomenda à população que adquira bebidas apenas de estabelecimentos regularizados e verifique a procedência dos produtos antes do consumo. As bebidas devem apresentar rótulo completo, lacre de segurança e selo fiscal. Produtos de origem desconhecida ou com preços muito abaixo do mercado devem ser evitados.
Aos comerciantes, o CVS orienta que redobrem a atenção quanto à procedência dos produtos oferecidos, adquirindo apenas de fabricantes legalizados. A medida visa prevenir casos de intoxicação que podem resultar em sequelas graves ou morte.
Sintomas e riscos
A intoxicação por metanol apresenta sintomas que evoluem em fases. Nas primeiras seis horas após a ingestão, a vítima pode sentir dor abdominal intensa, sonolência, falta de coordenação, tontura, náuseas, vômitos, dor de cabeça, confusão mental, taquicardia e queda de pressão arterial.
Entre seis e 24 horas após o consumo, surgem sintomas mais graves: visão turva, fotofobia, visão embaçada, pupilas dilatadas, perda da visão das cores, convulsões, coma e acidose metabólica grave.
Em casos mais severos, o paciente pode evoluir para cegueira irreversível, choque, pancreatite, insuficiência renal e necrose de gânglios da base, resultando em tremores, rigidez e lentidão dos movimentos. Ao identificar qualquer um desses sintomas, a orientação é procurar atendimento médico de emergência imediatamente.
Balanço de casos
Segundo o balanço atualizado pela SES-SP, foram confirmados 52 casos de intoxicação por metanol no estado, com 12 óbitos. As vítimas fatais são quatro homens de 26, 45, 48 e 54 anos residentes na capital paulista; uma mulher de 30 anos e um homem de 62 anos de São Bernardo do Campo; dois homens de 23 e 25 anos e uma mulher de 27 anos de Osasco; um homem de 37 anos de Jundiaí; um homem de 26 anos de Sorocaba; e um homem de 26 anos de Mauá.
Outros quatro óbitos permanecem sob investigação: um em Guariba (vítima de 39 anos), um em São José dos Campos (31 anos) e dois em Cajamar (29 e 38 anos). Até o momento, 570 casos foram descartados após investigação.
A expectativa é que a fiscalização intensificada durante o Carnaval reduza os riscos de novos casos e garanta maior segurança aos foliões em todo o estado de São Paulo.