Abandono na Zona Rural: Moradores de Natividade da Serra denunciam colapso nas estradas e na saúde pública
Comunidades de Pouso Alto, Bairro Alto, Vargem Grande e regiões vizinhas cobram resposta imediata da Prefeitura diante de estradas intransitáveis e falta de médicos.
Moradores e produtores rurais da zona rural de Natividade da Serra voltaram a denunciar o estado de abandono em que se encontram diversas comunidades do município. As principais queixas concentram-se nas condições críticas das estradas e no precário acesso aos serviços de saúde, problemas que têm gerado revolta e sensação de desamparo entre a população que vive e trabalha no campo.
As comunidades de Pouso Alto, Bairro Alto, Vargem Grande e regiões vizinhas relatam que a situação se agravou nos últimos meses, com descaso com as estradas deterioradas que dificultam o tráfego diário, comprometem o transporte escolar e inviabilizam o escoamento da produção agrícola local.
Estradas intransitáveis geram prejuízos e insegurança
Produtoresrurais relatam prejuízos significativos causados pela falta de manutenção nas vias. Veículos enfrentam atoleiros e trechos quase intransitáveis, especialmente durante períodos chuvosos. A situação chegou a tal ponto que moradores afirmam que "nem cavalo tá passando direito" e que "não tem carro que aguente essa estrada ainda".
A precariedade das vias compromete não apenas o escoamento da produção agrícola, atividade que sustenta parte importante da economia municipal, mas também gera sensação de insegurança entre os moradores, que temem acidentes e ficam isolados em caso de emergências.
Pais e responsáveis também manifestam preocupação com a regularidade do transporte escolar, que enfrenta dificuldades para circular pelas estradas esburacadas e sem manutenção adequada.
Saúde: médico qualificado deixa comunidade por falta de valorização
Além dos problemas estruturais, a população do Bairro Alto enfrenta uma crise na área da saúde. O Dr. Luiz, descrito pelos moradores como "um excelente profissional" e "médico muito bom mesmo", está prestes a deixar a comunidade após apenas seis meses de atendimento na região.
Segundo relatos dos moradores, a saída do profissional está relacionada à falta de valorização por parte da Prefeitura. "Parece que o prefeito não quer pagar ele direito, ou que vale pra ele ficar aqui, por causa que ele vem de carro, está tudo ruim", desabafou uma moradora em áudio compartilhado nas redes sociais.
A iminente partida do médico mobilizou a comunidade, que organizou um abaixo-assinado com aproximadamente 300 assinaturas para tentar reverter a situação. "Pegamos acho que umas 300 assinaturas aqui já, pra poder mandar pra prefeitura, pra ver se ele não vai embora", relatou outra moradora.
O sentimento de abandono é evidente nos relatos: "Então não valoriza nem o médico bom que tem aqui no bairro, esse prefeito não valoriza. E o povo tá aqui, tá revoltado", disse uma das moradoras. Outra complementou: "Daí ele vai embora, última semana que tá atendendo aqui, já vai embora. Até sem médico nós vamos ficar aqui no bairro."
População aguarda resposta oficial
A combinação dos problemas de infraestrutura e saúde tem gerado forte cobrança da população por providências urgentes. Os moradores aguardam posicionamento oficial da Prefeitura de Natividade da Serra e prazos definidos para a solução dos problemas.
Enquanto as respostas não chegam, os problemas persistem e continuam impactando diretamente o cotidiano de quem vive da terra, dificultando o acesso a serviços básicos e comprometendo a qualidade de vida nas comunidades rurais do município.
O deslocamento até unidades de atendimento médico tornou-se ainda mais complexo diante das condições precárias das estradas, criando um ciclo de vulnerabilidade que afeta especialmente idosos, crianças e pessoas com necessidades de saúde mais frequentes.
A reportagem tentou contato com a Prefeitura de Natividade da Serra para obter um posicionamento oficial sobre as denúncias, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.
As falas dos moradores foram extraídas de áudios compartilhados nas redes sociais e retratam o sentimento de indignação da população da zona rural com a situação atual.