MP-SP investiga venda de área histórica de pesquisa agrícola no Vale do Paraíba

Gleba Brasília, em Pindamonhangaba, pertencia ao Estado há mais de um século e era usada pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios.


 
O Ministério Público de São Paulo abriu procedimento preparatório de inquérito civil para investigar a venda de 350 hectares de terra pública destinada à pesquisa científica em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba. A área, conhecida como Gleba Brasília, integrava o patrimônio do Estado de São Paulo desde 1910 e era utilizada pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

A denúncia foi apresentada pela Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), que questiona a legalidade da transação. Segundo a entidade, a venda foi realizada por meio do Fundo de Investimento Imobiliário do Estado de São Paulo, gerenciado por uma corretora privada.

Patrimônio científico centenário

A Gleba Brasília compõe o complexo de fazendas experimentais mantidas pela Apta, órgão responsável por desenvolver pesquisas em áreas como agricultura sustentável, melhoramento genético de culturas e adaptação de espécies vegetais às condições climáticas paulistas. Essas unidades são estratégicas para a geração de conhecimento aplicado ao agronegócio, setor que representa parcela significativa da economia estadual.

A área está sob administração pública há mais de 114 anos, período em que serviu como base para experimentos agrícolas e estudos de longo prazo. A manutenção dessas estações de pesquisa é considerada essencial para a segurança alimentar e o desenvolvimento tecnológico do setor primário.

Como foi realizada a venda

Conforme apurado pela APqC, a transação ocorreu por meio de um fundo de investimento imobiliário estadual, um mecanismo financeiro que permite ao poder público administrar e eventualmente alienar bens imóveis. Esse tipo de fundo é gerido por instituições privadas, que atuam como administradoras sob regulação de órgãos competentes.

A utilização desse modelo para venda de áreas com destinação científica específica levanta questões sobre a necessidade de autorização legislativa, avaliação de impacto patrimonial e consulta à comunidade científica.

Papel do Ministério Público

O procedimento preparatório instaurado pelo MP-SP é a fase inicial de uma investigação civil. Durante essa etapa, o Ministério Público coleta documentos, ouve testemunhas e solicita esclarecimentos aos órgãos envolvidos para avaliar se houve lesão ao patrimônio público, irregularidade administrativa ou descumprimento de normas ambientais e científicas.

Caso sejam identificados indícios de irregularidade, o procedimento pode evoluir para um inquérito civil completo e, posteriormente, resultar em ação civil pública para anulação da venda, recuperação da área ou responsabilização dos envolvidos.

Fonte: Uol